No silêncio da noite
 
Rosappaula
 
 
No silêncio da noite,
Ouço tua respiração,
Vejo o brilho dos teus olhos,
O acariciar de tuas mãos
Deixando-me louca de paixão
Como se fosse uma alucinação.
 
No silêncio da noite,
Meu coração chora de dor,
Vendo-te por toda parte...
Nos bosques, nas florestas,
No meio das estrelas cintilantes,
No Sol dourado
 
No mundo solitário em que vivo,
Sonhando com você
Agora e sempre, como antes!
 
No silêncio da noite,
 Perdida, me debato,
Aflita e louca te procuro
Mas apenas vejo teu retrato
 
Nestas longas trevas,
Sem jamais te encontrar
Sonho... e te vejo
Sem que possa ao menos te beijar!...
 
No silêncio da noite,
Sonhando contigo, meu amor,
Eu te queria aqui, te poder tocar,
Ver teu sorriso convertido em flor,
Sentir o doce aroma do orvalho,
Que de teus olhos brota
 Para regar os campos de argila
 que minha alma vive.
 
No silencio da noite...
Eu queria possuir-te
 Aqui...ao acordar
 Deste sonho lindo que hoje tive.


 

No silêncio da noite

Eugénio de Sá


É no silêncio da noite que a gente

Sente mais forte bater o coração

Torna-se, então, latente a nostalgia

Na alma adormecida, carente d’afeição

Lembrança de quem disse que nos queria

E o corpo revolta-se, irrequieto, quente



É no silêncio da noite que a gente

Sente maior a dor do abandono

Tornada chama que cá dentro queima

Num corpo que não tem mais dono

P´la frigidez de quem não o reclama

Que aos poucos vai perdendo exaltação



É no silêncio da noite que a gente

Mais acarinha a esperança da ventura

Que um dia nos foi grata à emoção

Quando em lençóis da cama de ternura

Perdíamos o tino e a razão

Apaixonados, naquele amor fremente



Portugal

Agosto 2006


 
 
 

© Rosa Paula

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