Quando o amor acenar, siga-o ainda que por

 caminhos ásperos e íngremes.

E quando suas asas o envolverem, renda-se a

 ele ainda que a lâmina escondida sob suas asa possa feri-lo.

E quando ele falar a você,
acredite no que ele

 diz ainda que sua voz possa destroçar seus

 sonhos, assim como o vento norte devasta o jardim.

Pois, se o amor coroa, ele também o crucifica.

Se o ajuda a crescer, também o diminui.

Se o faz subir às alturas e acaricia seus ramos

 mais tenros que tremem ao sol, também o

 faz descer às raízes e abala sua ligação com a terra.

Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.

Debulha-o até deixá-lo nu.

Transforma-o,
livrando-o de sua palha.

Tritura-o, até torná-lo branco.

Amassa-o, até deixá-lo macio e, então,

 submeta-o ao fogo para que se transforme em

 pão, no banquete sagrado de Deus.

Todas essa coisas pode o amor fazer para que

 você conheça os segredos de seu coração e,

 com esse conhecimento, se torne um

 fragmento do coração da VIDA.

Khalil Gibran

 
 
 
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© Rosa Paula

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